O Auxílio Emergencial e o sonho de Geiza

publicado: 29/11/2019 18h31,
última modificação: 16/12/2020 20h47

No interior da Paraíba, a 140 quilômetros de João Pessoa, na cidade de Queimadas, a simpática Geiza da Silva abria a porta da sua casa com um sorriso estampado no rosto. “Vamos entrando!”, dizia ela ainda um pouco encabulada e nervosa. Os porta-retratos na parede mostravam a família paraibana, com a mãe, os três irmãos e os três filhos.

Na sala, onde Geiza também trabalha como manicure e recebe as suas clientes, montamos o equipamento para começar o bate-papo. Aos poucos ela começou a contar sobre sua história. Nascida e criada em Queimadas, Geiza tinha o sonho da casa própria. Depois de ganhar um terreno do pai, ela conta que realizou o primeiro sonho: não pagar mais aluguel.

“Eu morava com meus três meninos, pagava aluguel, mas vinham as dificuldades, né? Minha família sempre me ajudou, meu pai, meus irmãos. Meu pai tinha um terreno pra construir para nós três. Aí eu construí minha casinha e hoje em dia eu não pago aluguel, graças a Deus, sou independente”, relembra.

Beneficiária do Bolsa Família, Geiza também trabalha como manicure e faz algumas unhas durante a semana. Através do serviço social do município, ficou sabendo de um curso para manicures e decidiu se inscrever. Mas em março deste ano, com a chegada da pandemia causada pelo novo coronavírus, se viu obrigada a parar de atender.

A situação ficou complicada, comenta Geiza, “eu só pensava que Deus é maior”. Ela conta que ficou sabendo do Auxílio Emergencial do Governo Federal através das assistentes sociais, mas não sabia se seria uma das beneficiadas. “Eu escutava falar do Auxílio Emergencial, mas não acreditava que pudesse ser verdade. O dia que eu recebi parecia que eu tinha ganhado na loteria. Eu nunca segurei tanto dinheiro na minha vida”, com um sorriso no rosto, Geiza relembra esse dia.

Geiza foi uma das 10,8 milhões de pessoas contempladas com R$ 1.200 do Auxílio Emergencial. O pagamento foi feito de forma automática, por pertencer ao Bolsa Família. Com esse benefício a paraibana conta que pode realizar o sonho dos filhos, que pediam para ir ao supermercado, fazer uma feira e empurrar um carrinho cheio. Emocionada ela lembra do dia em que foram às compras e conta com lágrimas nos olhos que realizou esse sonho. “Levei eles pro supermercado, deixei eles fazerem as compras. Foi o momento de realizar o sonho deles e foi o meu. Eles pediam as coisas e a gente não podia dar, sabe? Hoje, graças a esse auxílio, eu pude comprar o que eles queriam. Não posso dar o luxo a eles, mas sempre que eu posso eu tô agradando eles”. No armário o arroz, feijão e o pão de cada dia fazem a diferença. “Já chegou o dia da gente não ter nada pra comer, tive que ir buscar na casa da minha mãe, ou fazer uma faxina”.

Aos poucos o trabalho como manicure está retornando e a expectativa é que a procura das clientes aumente. Assim, Geiza espera conseguir manter uma renda para sustentar os três filhos e proporcionar mais momentos de alegria a eles.